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Toxoplasmose na gravidez: Fácil de prevenir quando se conhece o inimigo

Caro leitor, escrevo esse breve artigo na posição de pai. Não sou médico, e minha formação é na área de tecnologia e não na área de saúde. O objetivo das linhas a seguir é compartilhar a experiência que tive na segunda gestação de minha esposa, que deu luz a uma linda menina.

O interesse em compartilhar minha experiência da última gestação quando ocorreu a ameaça da toxoplasmose provém do fato de que, apesar de ser um pai razoavelmente bem informado acerca do processo de gestação, me encontrei em uma situação cuja sensação foi de total desinformação a respeito dessa séria ameaça a saúde do feto. O médico não havia nos informado o suficiente em ambas as gestações, o que evitaria o estresse que passamos.
Mais uma vez, deixo claro que não sou médico e por essa razão não sou apto a indicar ou mesmo sugerir qualquer forma de tratamento ou medicação. A informação que segue está baseada tão somente em minha experiência pessoal com o problema, e o compartilhamento dessa experiência objetiva eventualmente auxiliar leitores estejam passando por experiência semelhante.
A toxoplasmose é uma doença infecciosa, provocada por um protozoário chamado Toxoplasma Gondii. Ela pode se manifestar sem mesmo ser percebida, de modo que em geral não promove sintomas sérios ao doente. Exceto se o doente se tratar de uma gestante. E é esse seu maior perigo: poucas pessoas se atentam à toxoplasmose com uma visão de prevenção, e só percebem a gravidade quando a mesma é detectada nos exames do pré-natal.
A toxoplasmose é adquirida mediante a ingestão de água ou alimento contaminado. OS cistos desse protozoário podem ser encontrados em carnes cruas ou mal passadas, fezes de felinos, assim com também em verduras mal lavadas. Ora essa, verduras mal lavadas… Quantas vezes uma gestante se vê obrigada a fazer sua refeição em um restaurante qualquer no dia a dia de sua rotina. A maioria das gestantes certamente trabalham e em geral necessitam fazer refeições fora de casa. Qual garantia que temos se a verdura de um restaurante está realmente bem lavada?
Vejam que quando se fala em toxoplasmose, o conceito geral é que a gestante deve evitar comer carne crua, correto? Infelizmente esse cuidado é pouco.
Na gestação de minha esposa, tivemos a detecção positiva da toxoplasmose. Quando a obstetra nos informou disso, a nossa reação foi imaginar que toxoplasmose era uma patologia simples, sem maiores consequências, afinal, já na segunda gestação, e se tratando de ambas as gestações planejadas e bem acompanhadas, não sabíamos nada ainda sobre toxoplasmose.
Sabíamos muito sobre exames de translucência nucal, exame morfológico… Enfim, sabíamos sobre a bateria de exames que deixam todos os pais apreensivos, mas foi uma surpresa saber que toxoplasmose é uma doença de grande perigo para o feto. Pior foi deduzir que, tratando-se de uma gestação planejada, o contágio poderia ter sido evitado facilmente, desde que tivéssemos sido previamente informados da gravidade dessa doença.
O perigo da Toxoplasmose é que se a infecção na mãe ocorrer durante a gestação, pode ocorrer a infecção no feto também. Isso porque o parasita consegue atravessar a placenta! As consequências vão desde aborto à má formação do feto como hidrocefalia, problemas neurológicos e cegueira. Pois é, e a mãe pode ser contaminada com isso apenas consumindo uma verdura mal lavada!
O meu interesse em escrever essas linhas é justamente alertar as futuras mamães da relativa facilidade em se contrair essa enfermidade, a meu ver pouco divulgada no pré-natal pelos médicos.
Gatos são problema? De certo modo, não como muitos falam
Há um senso comum distorcido que relaciona gatos com toxoplasmose. De fato a toxoplasmose é uma zoonose e o gato é seu hospedeiro final. Porém, para o gato transmitir a toxoplasmose, é preciso que seja contaminado pela ingestão de carne contaminada de outros animais (hospedeiros intermediários). Uma vez infectado, o gato passa a eliminar o parasita nas fezes e ao ter contato ou ingerir essas fezes infectadas é que ocorre a infecção do ser humano. Um detalhe é que o gato não se afeta com a doença, de modo que a pessoa pode ter um gato contaminado em casa e não perceber nada. Já os hospedeiros intermediários apresentam patologias diversas relacionadas a doença.
Minha esposa jamais consome carne crua, não temos gatos em casa. Ela sequer teve qualquer contato com gatos e não comeu carne crua, porém foi contaminada. Desconfiamos que isso tenha ocorrido pela ingestão de verdura mal lavada em restaurantes, ou mexendo com a terra do jardim sem utilizar luvas, ou talvez manuseando carne crua contaminada.
Se o caro leitor está lendo esse artigo pelo fato de ter detectado a toxoplasmose num primeiro exame, mantenha a calma. É possível que a infecção não tenha ocorrido durante a gestação. Foi o caso de minha esposa. A questão é que até obtermos os demais exames, ficamos com grande ansiedade. Espero que a experiência aqui relatada venha informar e talvez tranquilizar pais que possam estar passando pelo mesmo drama.
A internet traz muita informação, mas em geral de maneira apavorante. Há diversos artigos tratando do tema com mais detalhes quanto a forma de contágio ou quanto ao parasita. Estarei me limitando a questões práticas de interesse à gestante e ao pai, frente a um exame positivo de toxoplasmose, com linguagem direta, evitando jargões da medicina, afinal, como disse, eu não sou médico, sou apenas um pai.
O exames de toxoplasmose traz dois números, que se referem a detecção de dois anticorpos. Um é o IgG e outro é o IgM. O IgG indica se há anticorpos ativos no corpo de gestante. O IgM indica a presença de infecção.
A combinação desses números informam se a gestante está infectada ou não. Se a gestante foi infectada antes da gestação, está imune, não vai passar nada para o feto, que estão estaria seguro quanto à toxoplasmose.
O EXAME
A seguir, uma explanação que pode lhe ajudar a interpretar seu exame.
IgG: O IgG aparece na sorologia em uma a duas semanas após a infecção, atingindo um determinado pico, depois o valor de IgG pode sofrer queda e pode persistir pela vida toda. Valores elevados de IgG não significam necessariamente infecção recente. Pois o IgG pode persistir pela vida toda e pode vir de uma infecção muito antiga.
IgM: Os anticorpos IgM são detectados na sorologia e surgem dentro de cinco dias. Desaparecem depois de semanas ou meses. Porém podem persistir por até dois anos. Assim, a presença do IgM, isoladamente, também não significa necessariamente uma infeção recente.
Um exame com IgG positivo indica que a gestante, já teve em sua vida, um contato com o parasita e que seu sistema de defesa funcionou bem. Talvez essa pessoa nunca tenha sentido os sintomas, ou os confundiu por exemplo com os sintomas de uma gripe comum. Se o IgG estiver positivo e o IgM estiver negativo, a gestante não está infectada e assim, a principio, o feto não corre risco de ser infectado. A gestante já teve contato com o parasita, já desenvolveu os anti-orpos e assim está imune a uma nova contaminação.
Quando o exame igG é negativo, assim como o IgM; há indicação de que a gestante nunca teve contato com o parasita. Isso não é ruim, mas é motivo para cuidado, pois a infecção poderia vir a ocorrer justamente durante a gestação em caso de exposição ao parasita.
Para o caso do igG negativo e IgM positivo, pode ser um resultado falso positivo, assim como pode ser um infecção em fase inicial. Para confirmação, é preciso fazer um segundo exame no prazo de duas semanas.
Se esse segundo exame apresentar IgG e IgM positivos, indica que trata-se de uma infecção aguda em andamento, o que levará a um tratamento para proteção do feto. Veja que o tratamento em geral é muito eficaz, o ruim é que a gestante precisará tomar medicamentos.
Caso o resultado seja idêntico, indica que é um falso positivo para o IgM. Porém como o IgG confirmou como negativo, é preciso cuidar para não haver exposição ao parasita.
Se o IgG e IgM forem positivos, há indicação da possibilidade de uma infeccção recente. Porém, para confirmar se a infecção é mesmo recente, será necessário o teste de Avidez igG.
O teste de avidez IgG consegue determinar se a infeção é recente ou não. O resultado do teste de Avidez IgG não é absoluto, ele é dado em porcentagem, sendo que em certa faixa indica Avidez baixa, o que sugere infeção recente. Em uma faixa mediana sugere indefinição e em um terceira faixa, sugere, com muita segurança, infecção adquirida há mais de quatro meses. Como essa detecção é feita por volta dos 3 ou 4 meses de gestação, se a infeção é anterior há quatro meses, a gestante não foi infectada durante a gestação!
Observar que em geral essa porcentagem é: Até 30% (sugere infeção), 30% a 60% (indeterminado), acima de 60% (infecção com mais de quatro meses); no entanto esses limites podem variar conforme o método utilizado no exame, logo, em posse do seu exame, verificar os limites discriminados no próprio exame (verifique isso com cuidado pois essas escalas vão sendo alteradas com o passar do tempo e naturais mudanças dos métodos nos exames).
Quanto maior a avidez, mais antiga seria a infecção; ou seja, quanto maior for, melhor e mais seguro. Veja que há exame que considera, por exemplo, como indeterminado, o valor de 30% a 35%, e que que acima de 35% já sugere uma infeção com mais de quatro meses. Quando o valor é indeterminado, principalmente em valores abaixo dos 60%, é esperado que o obstetra opte pelo uso da medicação, afim de não correr riscos. Um exame desses deve ser bem avaliado pelo obstetra junto ao paciente. No meu caso, a obstetra disse que usaria a medicação caso a Avidez fosse abaixo dos 60%, afim de não correr riscos.
MINHA EXPERIÊNCIA
Aqui seguem algumas dicas, segundo minha experiência:
  • Faça os exames em laboratórios confiáveis que não atrasam na entrega do resultado. Sofremos um atraso até mesmo em um laboratório que confiávamos, o que nos obrigou a fazer um segundo teste de Avidez fora do convênio médico, ou seja, tivemos um gasto maior e ainda mais ansiedade. Faça os exames sempre nos prazos corretos, isso é essencial para que a interpretação dos exames seja mais precisa. Não perca tempo, pois em caso de ser necessária a medicação, também é importante que a mesma comece a ser administrada no momento certo, sem atraso.
  • Se você está planejando uma gravidez, peça esse exame a seu obstetra ANTES de engravidar. Se você não engravidou ainda e teve um exame positivo, não tem problema nenhum, basta adiar a gravidez por alguns meses, até obter imunidade à doença. Se não engravidou ainda e o exame é negativo, já inicie com a prevenção ao contágio e faça os exames regularmente durante a gestação. Se seu obstetra não indicar os exames, peça isso a ele manifestando sua preocupação.
  • Se o exame é negativo e você ainda não teve contato com o parasita, repita o exame periodicamente durante a gestação e não consuma verdura crua em restaurantes, não manipule terra sem luvas, não manipule carne crua sem luvas, fique longe de fezes de gatos, lave MUITO bem as verduras em sua casa. Não precisa se desfazer do seu gatinho, ele não é nenhum vilão, mas é um hospedeiro, assim basta ter um cuidado maior, lavando bem as mãos após tocá-lo. Lembre que o gato se lambe todo e depois ele pode lamber sua mão. Evite o contato dentro do possível, é só por alguns meses.
  • Para talvez tranquilizar um pouco, antes dos exames finais, se o leitor teve um exame com IgG positivo e IgM positivo, porém com IgM em valor baixo, isso já pode ser sinal de boa notícia. Há pesquisas que indicam que o IgM em valores baixos (abaixo de 3,0) não determinam, mas já sugerem infecção antiga. Porém é preciso sempre determinar isso pelo teste de Avidez.
  • Se você é pai e está investigando o problema, evite transmitir sua preocupação à mamãe gestante. Quanto mais ela estiver longe de tais preocupações, melhor será. Afinal, um primeiro exame positivo, na verdade nada confirma, são necessários os exames complementares. E se for detectado, há ainda a possibilidade de que o feto sequer seja infectado e ainda há o tratamento para o feto com medicação, que é visto como eficiente quando aplicado no tempo adequado. O importante é fazer os exames sempre nos prazos solicitados pelo obstetra, para estar em posição a frente do desenvolvimento da infecção.
  • Caso obtenha um resultado positivo, mesmo que tenha dado alta avidez no teste de Avidez, é recomendável realizar ainda um teste da toxoplasmose na ocasião do exame do pezinho. Isso porque um recém-nascido não apresenta qualquer sinal físico da Toxoplasmose. Esses começarão a aparecer posteriormente. Assim, fazendo esse exame no teste do pezinho, fica afastada de vez a possibilidade de infeção. E se caso for ainda detectada a infeção, o bebê já pode iniciar um tratamento, evitando-se maiores problemas. Esse exame está no chamado exame intermediário do teste do pezinho, que até a data da redação desse artigo, é cobrado a parte, com um custo médio de R$ 150,00 (obs: esse texto foi escrito em torno de três anos antes da publicação nesse blog). A noticia que tenho é que há intenção de incluí-lo nos exames que compõem o teste gratuito. Enfim, mas se houve alguma suspeita d einfecção na gestação, acho que vale cada centavo.
  • Se você é papai ou mamãe gestante, repasse a informação a seus amigos que pretendem ter filhos. O problema é um tanto desconhecido e pode ser facilmente evitado, mas é um problema que pode causar sérias consequências ao um bebê no caso de uma infecção mal cuidada.
EM CASO DE INFECÇÃO
Em caso de confirmação da infecção durante a gestação, não se desespere,  o obstetra irá administrar a medicação! Há então tratamento para proteger o feto, desde que seja feito no tempo correto.
Assim, informar a gestante quanto à toxoplasmose e seu processo de infecção é muito importante, pois a exposição ao parasita pode ocorrer de maneiras inusitadas, além do popular risco pelo contato com gatos. Não ter qualquer contato com gatos, não isenta a gestante da possibilidade de contágio.
O contágio pode ser evitado sem maiores dificuldades, até mesmo antes de uma gravidez, evitando-se assim desgaste emocional dos pais e uso de medicação, frente a um resultado positivo. É muito importante que os exames sejam realizados nos prazos solicitados pelo obstetra, para que o diagnóstico seja confiável.

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